CINEMÃO CRIOULO NO 3º RODEIO INTERNACIONAL DE TAVARES
CINEMÃO CRIOULO NO 3º RODEIO INTERNACIONAL DE TAVARES:
UMA ESTRATÉGIA INÉDITA QUE CONSOLIDOU O CINEMA POPULAR NO ESPAÇO MAIS NOBRE DO EVENTO
As exibições do Cinemão Crioulo no 3º Rodeio Internacional de Tavares surpreenderam o público, ampliaram significativamente o alcance do projeto e consolidaram uma experiência cultural inédita no tradicionalismo gaúcho. A estratégia adotada pela produção — com base no acompanhamento em tempo real das redes sociais da TV Clube SJN e da Rádio Norte FM, que também noticiaram a força do evento — mostrou que a presença do cinema local não apenas se integra ao rodeio, mas expande seu horizonte cultural, ambiental e comunitário.
Inovação na ocupação do palco principal
Pela primeira vez, o cinema popular entrou de forma estruturante no coração de um grande evento tradicionalista. Com a infraestrutura do projeto montada diretamente no palco principal, o Cinemão realizou sessões programadas e, sobretudo, exibições em fluxo contínuo, ocupando todos os intervalos, brechas e momentos de circulação na tenda principal.
Essa escolha estratégica gerou um impacto muito maior do que o previsto inicialmente:
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O cinema nunca ficou “parado”: sempre havia uma obra sendo exibida.
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O público circulante foi imenso, especialmente nos horários de descanso entre provas e apresentações.
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O objetivo estratégico foi cumprido integralmente: colocar a cultura popular, a memória local e as questões socioambientais no espaço mais nobre e mais visto do rodeio.
A inovação chamou atenção de visitantes, competidores e da imprensa local. A TV Clube SJN destacou em suas postagens o fluxo intenso de pessoas e o clima de participação comunitária; a Rádio Norte FM registrou, em suas coberturas, a importância cultural de levar produções regionais para um evento de grande porte.
Mostra de documentários socioambientais
Durante todos os dias do Rodeio, o Cinemão exibiu vídeos que trataram de temas decisivos para o litoral médio e a região da Lagoa dos Patos, incluindo:
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Mudanças climáticas e impactos na costa e na Lagoa dos Patos
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A conservação da fauna marinha, com destaque para o golfinho toninha, símbolo nacional da conservação marinha
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Memórias e saberes das comunidades nortenses e tavaresenses
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Patrimônio cultural e tradições negras, indígenas e litorâneas
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Economias tradicionais e práticas sustentáveis
Essas produções incluíram filmes realizados em São José do Norte e Tavares, ampliando o orgulho local e reforçando o pertencimento das comunidades que se viram retratadas na tela grande.
Desafio e estratégia: construir público em um evento com rituais tradicionais consolidados
O Rodeio de Tavares é um evento com rituais, circulações e hábitos de público bem estabelecidos. Inserir sessões de cinema em uma dinâmica tão robusta exigiu uma estratégia ativa, persistente e comunitária.
A produção do Cinemão montou uma operação de campo inédita:
1. Parceria com a Prefeitura Municipal de Tavares
A prefeitura mobilizou uma equipe de apoio para atuar junto à produção do projeto na entrega dos ingressos e na divulgação direta.
2. Uma equipe de 6 pessoas trabalhando das 8h às 0h
Foi um trabalho contínuo, de 16 horas por dia, para acompanhar o fluxo monumental de público:
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Mais de 4 mil pessoas acampadas
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Mais de 5 mil visitantes intermitentes ao longo dos dias
Com essa escala, somente uma estratégia corpo a corpo foi capaz de dialogar com os públicos tradicionalistas, famílias e visitantes ocasionais.
3. Abordagem direta “barraca a barraca”
A equipe percorreu o parque inteiro conversando com as famílias, explicando o projeto, apresentando os filmes e convidando todos a conhecer o cinema popular.
4. Entrega de ingressos na portaria
Uma ação coordenada com a organização do evento para alcançar quem chegava ao Rodeio.
Uma estratégia social inteligente: 5 ingressos por família + sorteio de um Kit Chimarrão
Para aumentar a fruição e gerar motivação afetiva, foi criada uma estratégia simples e poderosa:
cada família recebeu 5 ingressos, garantindo que todos pudessem participar juntos.
Além disso, cada ingresso deu direito a participar do sorteio de um Kit Chimarrão completo, com:
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mateira de couro, cuia artesanal, bomba, porta erva e o símbolo do Rio Grande do Sul pirografado.
Um prêmio profundamente valorizado no universo tradicionalista, criando vínculo imediato com o público e fortalecendo o engajamento.
Um sucesso de público e de pertencimento cultural e muitos desafios ao futuro
O Cinemão Crioulo transformou o 3º Rodeio Internacional de Tavares em uma grande plataforma de Cultura Popular:
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cinema local,
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memória regional,
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consciência ambiental,
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protagonismo comunitário,
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e valorização da cultura popular do Litoral do RS;
presença da cultura negra do litoral do RS no telão instalado no centro do evento.
A presença contínua dos filmes no palco principal, combinada com a estratégia massiva de abordagem e distribuição de ingressos, garantiu alcance muito superior ao esperado, instaurando um modelo inovador de como o cinema pode dialogar com eventos de grande escala.
Mais do que exibir filmes, o projeto ocupou de forma simbólica e concreta um espaço de poder cultural, ampliando vozes e recuperando histórias invisibilizadas na narrativa tradicionalista.
O Cinemão Crioulo segue seu caminho, reafirmando o compromisso de levar o cinema da comunidade para os espaços onde a comunidade está — e de devolver às pessoas suas próprias imagens, histórias e memórias, projetadas em tela grande, com orgulho e dignidade.
É importante destacar que mesmo com uma ampla distribuição de ingressos, a retenção de atenção do público ocorreu nas sessões ocorrue, sobretudo, entre moradores de territórios de Comunidades Tradicionais e Quilombolas da região, bem como junto à população idosa. Observou-se menor interesse — ou mesmo frustração de expectativas com os conteúdos exibidos— por parte de segmentos tradicionalistas urbanos de classe média e grupos vinculados ao agronegócio. Esse cenário evidencia um desafio cultural ainda em aberto: avançar na construção de sentidos, narrativas e pertenças que consolidem uma cultura gaúcha verdadeiramente ancorada na Cultura Popular, na justiça social, ambiental e climática, e na valorização das ancestralidades, raízes territoriais, diversidades e inclusão social. Outro desafio é construção de público para o cinema gaúcho e popular junto ao público tradicionalista.
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